22 novembro 2005

Take it on the chin


Batem à tenda. Vou ver. Quem é?
O preto que quer café!
??? Mas que raios…
Abro a tenda. Quem és tu?
Venho da parte do meu amo, Mr. Sammy Davis. Toma.
Obrigado. E o café?
Não quero. Este não é o meu blogue.
Leio a carta. «É para o informar que vai começar a guerra.???
F***-se. Que m*****” é esta? E por que estou a falar à excêntrico?
Saio da tenda sem saber por que o Sammy Davis me manda um moço de recados.
Ao longe, uma nuvem de fumo na pradaria. Mais búfalos? Ah, não! É um ataque! Estou a ser atacado no meu blogue! Quem é este que vem aí? É uma mulher! Mas que está ela a fazer? A dançar?!
Mirondum mirondúm, mirondela, Mirondúm se fué a la guerra, no sé cuando vendra, no sé se vendrá o vendrá por la pascua, Se por la eternidad, se por la eternidad.
É a trauliteira! Vou ter de usar de toda a minha argúcia para fugir aos paus e ao jogo de pés desta lenda.
Trauliteira usa os pés para levantar a poeira e assim cegar os inimigos enquanto bate com os paus um no outro provocando um som aterrorizante. Mas o moicano tem armas secretas.
Invoco o Deus da Ventania para afastar esta poeira. E o Deus do Trovão para que os paus se transforme em archotes.
Meu dito, meu feito. O vento afasta a poeira e os paus começam a arder. Trauliteira pára e vendo-se sozinha e sem armas, começa a fazer malabarismos com os paus enquanto desaparece no horizonte.
Esta já está. Mas há mais. Quem será agora?
Já dizia Chesterton, a mediocridade, possivelmente, consiste em se estar diante da grandeza e não se reparar nisso.
Este vai ser mais difícil. Por detrás de palavras cândidas esconde-se um grande guerreiro.
O moicano dirige-se à tenda e pega no cachimbo que costuma estar escondido atrás da sanita. Começa a fumar enquanto os Led Zeppelin tocam Stairway to Heaven. Boa!
Sai da tenda. O homem das citações ideais está em pose de safio com o queixo levantado e o sobrolho esquerdo levantado. Ora cá vai: os cemitérios estão cheios de gente insubstituível! (Churchill); ironia é a esperteza de um coração superficial (T. H. Lawrence); liberdade signfica nada mais a perder (Lynne Schwartz); todos os actos de injustiça parecem aumentados aos olhos da vítima (Hilary Mantal); não chores por não ver o sol que as lágrimas não te deixaraão ver as estrelas (Violet Parra); índio de cachimbo, idealista no limbo (local).
O homem das citações está perplexo. Não estava à espera da sabedoria milenar do índio (mal sabe que o efeito da erva está a passar). Resolve apelar ao último truque. Pega no walkie-talkie com desenhos do Power Rangers e diz: podes chegar cá? Ès a minha salvação. E a menina das nutícias aparece em todo o seu esplendor. Começa a vestir-se enquanto o moicano arregala os olhos. Nunca conseguiu resistir a uma mulher vestida. Que fazer?
Já sei. Como mulher de grande nível, não deve gostar de piropos foleiros. Vamos lá. Ó jeitosa, tens aí um cocar todo bom! Já agora, esse teu escalpe ficava bem na minha mesinha de cabeceira! As tuas amigas têm nome? Conheço um solitário para ti!
A menina das nuticias começa a chorar e desvanece-se no ar. Vai quote man. Vai e quando vieres ao menos traz gente de nível.
O homem das citações vai-se embora de cabeça baixa enquanto cita o adeus de Eu Génio de Andrade.
Isto está a correr bem. Mas, já sabia, o sossego tinha de acabar. Quem é agora? Bem, aquela toalha na cabeça, é ele, o excêntrico. Com que então ele era só ratos. Hmm! Agora é mesmo luta.
O excêntrico chega e diz ao moicano para esperar que está ao telefone com o Dr. Cuca. Desliga o telemóvel. Olá moicano. Preparado?
Sempre.
A luta inicia-se. O excêntrico usa todas as suas armas; código administrativo anotado, código de procedimento administrativo anotado, livro de Freitas do Amaral. O moicano, no ar e rodopiando sobre si, evita todos os golpes do excêntrico. Uma hora depois, esgotados, olham-se de frente. O excêntrico sorri enquanto diz: tenha a minha carta secreta. De hoje não passas; e saca de uma decisão do tribunal que lhe permite auferir como juiz após estágio. O moicano arregala os olhos e vendo toda a vida passar à sua frente (querida mãe, que saudade do cheiro do teu longo cabelo negro) num último instante lança a mão ao saco de cabedal que sempre o acompanha e lança um despacho das finanças a congelar o pagamento desse salário. O excêntrico fica petrificado e cai no solo. A custo agarra no telemóvel e fala com o Dr. Cuca: preciso de uma consulta de emergência, Dr., Tou que não posso! E aqui não há casa de banho e estou prostrado no chão. C******, ajude-meee! E vai-se para a sua jurisdição administrativa enrolando a tolha à volta da cintura.
Foi difícil mas eu, O MOICANO pode com todos!! Opa, isto agora é grande.
Um exército de 68.988 soldados parta em frente do moicano. A comandar esses 69.180 soldados um único homem a cavalo. Numa mão uma lança e noutra uma bíblia, anotado por ele próprio. Os 70,132 soldados apontam as lanças ao moicano que engole em seco.
É ele, O BLOGGER.
Então, preparado para te renderes, ó índio traidor da classe?
Nunca me rendo. Já agora, não queres descer do cavalo. Quero falar contigo ao mesmo nível.
O BLOGGER hesita.
Descer do cavalo? Para quê? A tua morte é iminente! Deixa-te de gabarolices parolas!
Ó chefe, era capaz de ser uma boa. Nunca o vimos sem estar no cavalo. Os 76.433 abanam afirmativamente com a cabeça num movimento algo mareado.
O BLOGGER não quer acreditar: os seus homens apoiam o moicano. Vou ter de descer senão chamam-me de herege. O BLOGGER desce do cavalo.
É o silêncio total. Os 50.321 homens não querem acreditar. Só se vê um tufo de cabelo dentro de um manto preto e dois grossos livros. O BLOGGER é minúsculo. Os 2 soldados largam as lanças e fogem gritando Mentira, Heresia.
O moicano agarra no manto preto e com um espirro introduzi um vírus no blogue que desaparece no firmamento.
Ah! AH! AAAHHH! I’m the greatest!
O moicano acorda de repente. Meu santo Touro Sentado. Tive outro sonho de soberba e imodéstia. Tenho de inflingir sofrimento nestes magníficos bícepes, digo, neste pequeno corpo.
O moicano dirige-se à tenda e toca à campainha. Uma magnólia resplandesce ao sol enquanto uma gata procura companhia.
Sim?
Mulher de Grandes Seios e Braços Voluptuosos, sou eu, o moicano. Preciso que me faças sofrer como naquele filme do Fellini, L’armacord em que o rapaz quase sufocava.
Mulher de Grandes Seios e Braços Voluptuosos abre a tenda. Não tenho isso mas arranja-se um Pasolini. Talvez os últimos dias de Sodoma. Aceitas?
O Moicano aceita o castigo. Que lhe sirva de lição.

Qualquer semelhança com a realidade é pura realidade.

6 Comments:

Blogger xavier ieri said...

F#*&-$%!!!!!!!!!!!!!!!!!!

novembro 21, 2005 7:44 da tarde  
Blogger xavier ieri said...

Lido, ontem, à pressa, reli hoje.
Fantástico.
Que boas gargalhadas.
Parabéns.
:)))

novembro 22, 2005 8:58 da manhã  
Blogger Sónia Sousa Pereira said...

Aeh...

Pizza?

Fartei-me de rir, senhor!

E olhe que não, olhe que não...

novembro 22, 2005 4:31 da tarde  
Blogger trauliteira said...

A Trauliteira volta a atacar...mas sem paulitos, pois que estes não são a sua especialidade!!!
E desta vez o ataque não se traduz em levantar poeira, mas em ajudar a que a mesma desapareça!!!
Não se farão ulteriores comentários a fim de não ferir hiper - susceptíbilidades!
Apenas se deixa um último conselho... a consulta de um vulgar dicionário de língua portuguesa. É que, ao contrário dos pauliteiros, as trauliteiras não são de Miranda do Douro nem passam a vida a dançar!!! Quanto muito fazem os outros dançar sob a ameaça de um cacete!
Por fim, esclareça-se que nunca foi sua intenção guerrear com o índio do cachimbo, já que o cacete sabe-se bem menos forte e letal que o cachimbo!

novembro 22, 2005 5:23 da tarde  
Blogger moicano said...

Poder de encaixe, senhora, poder de encaixe.

novembro 23, 2005 9:52 da manhã  
Blogger trauliteira said...

Olhe que não, olhe que não, Senhor...
Na minha terra chama-se misericórdia...

novembro 23, 2005 8:00 da tarde  

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